Editado por Alexandre de Lima
quarta-feira, 24 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Homenagem a Valdo
Outra conclusão a que cheguei foi de que não existe idade para fazer cicloturismo. Basta um mínimo de preparo físico e muita disposição. É necessário também estar preparado para enfrentar desconforto, além das coisas boas que a viagem oferece. Saber viver em plenitude os pequenos momentos. ”
“O Valdo: pessoa inquieta, idealista, me fez voltar a 12 anos atrás quando pensava ser sacerdote. Ele queria ser nosso pai e julgava-se responsável pela nossa sorte por ter tido a iniciativa de organizar a expedição. Acho que tornou-se reconhecido no grupo como um pouco paternalista. É um eterno jovem em busca de aventuras e aborrrecido com o mundo muitas vezes sem graça, inventado pelos adultos. Brincalhão e bem-humorado, mas também perfeccionista e exigente.” Depoimento de Gustavo.
Trechos transcritos do livro :”Pedalando e desvendando a Carretera Austral”, de Padre Valdo, 2007.
Padre Valdo participou de várias pedaladas da Bikesul, e inclusive de uma caminhada na serra. Pessoa de opiniões firmes, um pouco controversa, mas inegavelmente de bom coração. Seguiu os seus sonhos, e teve a disposição de ir adiante. Uma perda irreparável do mundo do Cicloturismo.
Descanse em paz, e que sua família saiba que ele fez o melhor que pode.
Homenagem capturada em 15/03/10 de http://www.bikesul.com/blog/?p=185#more-185
Acho que todos nós que pedalamos, ou não, devemos confessar que o Valdo é um exemplo de busca! Nunca devemos desistir de nossos objetivos e sonhos! Nunca é tarde para começar!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Fotos e Impressões
Galera,
Desculpe a ausênncia de notícias e de informações. Mas é que as chegadas são momentos difícieis também, as vezes piores que a partida . Mentira. È tão bom chegar em casa. Que por isso não tive tempo de mandar notícias .
Bom, chegamos em Valparaíso no dia 05/02/10. A viagem de Con - Con a Valparíso é de doer os olhos de tão linda que é. SE alguém for fazer uma viagem para o Chile e for a Valparaíso e não estiver de bike, aconselho alguar uma bike e ir até Con- Con são uns 30 km e o tempo parece voar.
Vencemos as enfermidades , desertos, pneus furados, raios quebrados , mal olhado, a falta de sorte, os desencontros , as brigas , as discussões , a falta de compreensão geral (tanto minha, quanto a dos outros) e principalemnte a saudade. A última, só vencida ao chegar ao Brasil e ver as pessoas mais importantes da minha vida, meus pais . Sei que posso passar anos fora de casa e quando voltar, meus pais estarão la me esperando com o mesmo sorriso no rosto.
O que dizer da Expedição Histórias do Atlântico ao Pacífico, foi um sucesso e um fracasso. Quanto ao trajeto da viagem foi perfeito, atingimos nossos objetivos. Quanto ao relato de histórias de outras pessoas foi mais ou menos um fracasso. Percebi que visitar asilos quando está viajando para colher histórias de viagem e aventura é uma situação delicada. Essas pessoas precisam de visitas constantes, me senti muito triste por passar por um lugar e saber que não poderia ajudar em nada. Ao me deparar com uma situação de sofrimento e de infinita tristeza, descobri que se eu fosse para visitar um asilo seria feito aqui no Brasil e não para colher histórias, mas sim para escutar histórias de vida, quase nunca felizes . Pois bem, resolvemos que as histórias seriam adquiridas por pessoas ao acaso. E assim encontramos algumas memoráveis .
A primeira História que poderia contar é do Pascal, um morador do Chui , se aventorou com várias coisas , acho que a maior aventura foi comprar uma máquina de fazer pastas (macarrão, ravioli, gnoch e outras massas ) . E sabe que aconteceu, deu tudo errado. Mas ele se recuperou, hoje tem uma importadora. Mas com seus 60/70 anos , sabe o que está pensando em fazer o sujeito ? Vai comprar um Trailer (Motor home) junto com um amigo Argentino nos EUA e descer até o Uruguay . Acho que nunca é tarde de mais para começar a fazer o que agente realmente gosta.
Como dizia Chico Science
"Não há mistérios em descobrir /O que você tem e o que gosta/Não há mistérios em descobrir/O que você é e o que você faz"
Outras histórias como de Lucienne, que saiu da Suiça para viajar , já esta 1 ano e pouco na estrada, buscando seu sonho. Foi a cuba aprender a dançar Salsa, disse " Ahh eu queria dançar como os Latinos, no começo foi dificil, mas depois vai pegando o jeito" . A menina é fenomenal fez o caminho de santiago, não me lembro a quantidade de kilometros, porque não foi o convencional. Era algo em torno de 1000 ou 1500 km ..não me lembro.
Logo logo quando estiver inspirado escrevo mais algumas coisas .
Ah coisas que tenho que dizer:
Consegui fazer uma gelatina nos Andes e ela ficou dura só de deixar fora da Barraca, isso foi incrível.
Trocar um raio nos Andes foi uma experiência boa, porque foi a primeira vez que havia quebrado um raio meu. Tinha a teoria e a prática pouca, mas consegui arrumar e a roda ficou boa ...
Tomar banho no pacífico, foi um sonho realizado, mas tive que sair bem rápido ! A água é muito muito gelada.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A água do Pacífico é muito muito...FRIA!!!!
Detalhes da travessia da cordilleira e da chegada ao Pacifico em breve!!!
domingo, 31 de janeiro de 2010
Enfermidades
Galera!!
A vida é uma coisa muito bizarra e frágil! As vezes nos sentimos os reis enquanto estamos pedalando pelas estradas, enfrentando jipes e tanques (essa é para o borjao), mas chega uma agua com algum bichinho microscopico e te derruba !! E ai ? Estirados dormindo o dia todo no isolante térmico, fracos, longe da familia, dos amigos que fizemos em Mendoza, dos amigos de Brasil, das pessoas que amamos! Dos cuidados de casa ! Foi duro, isso foi um perrengue, que nao sei se lembrarei com tanta alegria, mas sim foi uma experiencia importante.
Um dia forte e outro dia destruido, assim ficamos !!! PAssar 7 dias comendo Arroz branco, macarrao sem molho, compotas de maça e pera !! Ahh e sem falar na sopa!! Que alegria comer uma sopa!!
Depois de pegar uma infecçao intestinal (Vitor e Eu) ficamos 3 dias em Potrerillos, pedalmos 70 km com o modo deserto ativado, mas mesmo assim a enfermidade continuou.... agora mais 4 dias aqui em Uspallata!
Mas sempre há alguém com bom coraçao para ajudarnos !! O Pessoal do Camping nos tratou muito bem, sempre perguntando como estamos, tentando nos ajudar !! Até me benzeram!!! É a vida da voltas !! Um dia como reis dos desertos ...enfrentando estradas, e outro dia como um cachorro dormindo o dia todo, sem forças !! A vida é algo que deve ser preservado, a saúde uma coisa preciosa !!
Uma coisa de tudo que aprendi é que se nao fosse a companhia de Vitor, tudo seria muito mais dificil. Por aqui passamm muito ciclistas sozinhos, é admirável ! Mas no fundo, acho que nao ter com quem compartilhar aquele momento onde conseguimos algo. Como hj conseguimos remédios gratis no hospital, mesmo com a farmacia fechada !! E estamos aprendendo a conseguir as coisas na estrada!! Mas imagina conseguir o remédio e nao ter para quem falar !!1 éeeehhhh conseguimos convencer ou quando conseguimos pedir um desconto no camping ...ou quando pedalamos milhares de kilometros e já estamos mortos ...e olha para outro e vÊ que vc nao é o unico fudido que esta por ali !!! É compartilhar ajuda a nos manter vivos na estrada!!!
Viva Mendoza
Em Mendoza iríamos ficar uns dois dias...pois é, ficamos 5 dias. Nao dava pra ir embora. Foram muito bons os dias em que passamos em companhia de uma família inclível e de uma galera muito legal. Cada dia a mais era para desfrutar e para adiar a despedida que nao queriamos que chegasse. 
Deixa eu explicar melhor. Sabrina a amiga do Cabs, que agora é minha também(e das grandes), abriu as portas de sua casa e ela e toda a sua família nos recebeu muito bem. Foram dias muito intensos nao sei se consigo me lembrar dos eventos em ordem cronológica.
No primeiro dia como um passe de mágica pela noite foi se aglomerando uma galera gente boa para uma pizzada com direito a piscina e piramide.
O outro dia foi especial, foi aniversário de Flor irma de Sabrina. E lá estavamos nós em um aumoço festivo com os familiares de Flor.
Conhecemos o Parque da cidade de Mendoza, onde os mendonzino fazem seus esportes. A cidade de Mendoza é curiosas por ter vários canais que leva agua do degelo para refrescar a cidade e irrigar jardins, sao verdadeiros rios por todas as ruas.
Visitamos o Cierro San Martin, o libertador da Argentina, museus e praças sempre com um bom terere feito por Sabri.
Teve um dia que foi muito engraçado, olhava pro Cabs e ríamos. Vejam só...diretamente da sujeira tivemos um convite para ir em um aniversário. Cara, quando chegamos ao aniversário nao dava para acreditar. Era o aniversário mais chique do mundo, com pauco,diversas mesas de comida, barmans e tudo isso em uma mansao muito humilde. Bebi um tanto e quando bebado falo muito bem espanhol...assim lá estava eu que nao sabia dançar direito ensinando para as argentinas como se dançava musica brasileira...foi engraçado. O Cabs nao tinha como nem dispistar...dançava mal pra caramba. No fim estavam todos na piscina.
Um dia fomos tambem ao rio mendoza, onde nadamos nas aguas do degelo...gelada pra burro. Tive uma incrível idéia ao ver a correnteza: Vou subir um pouco no rio e me deixar a correnteza me levar no meio do rio. Que ideia de girico. Foi divertido enquanto descia, o prblema é que nao conseguia para e a correnteza me levava. Até que me agarrei em uma pedra no meio do rio. Eu ria da situaçao para dispistar porque na verdade nao imaginava como eu iria sair dali. Ai foi a odisseia...com muito custo cheguei à margem do rio, depois de negar sem graça uma corda.(uhahuauhauhahuau...tenho que rir agora).
Em um outro dia tive um novo encontro com o rio Mendoza, pois ali fizemos Rafting. Foi super divertido com direito a balsa virada, resgates de criancinhas e canturia(se essa canoa nao virar ole ole olá, eu chego lá...em um sutaque casteliano).
Até que chegou o dia de ir embora e nesse dia decidimos ficar mais um dia...nao dava para ir. Chorava só de imaginar em deixar Sabri, sua família, seus amigos e Mendoza. No último dia Eu e Cabs ficamos encarregados de fazer uma comida brasileira, ou que pelo menos se comia no Brasil. A escolhida foi o Strogonoff. Ficou rica eu creio.
Ai sim no dia seguinte ao strogonoff foi o dia de partir. Demos para Sabrina uma Camelback para ela pedalar forte e se lembrar da gente e também para agradecer tudo que ela e sua família fez por nós.
A última Notícia: Estamos ainda em Uspallata.
Para chegar até aqui rolou um montao de perrengues. Vamos voltar a um pouco antes de Sao Luiz de onde demos nossas últimas notícias.
Antes de chegar a Sao Luiz voces já sabem que rolou uns perrengues no deserto que tem por aquelas bandas, entre Mina Clavero e a referida cidade.
Ficamos sem agua, dormimos em posto de gasolina, 4 pneus furados de uma vez...A sorte voltou em Sao Luiz junto com Pelado Perez. Ele estava por cobrir o IV Tour de Sao Luiz onde os principais ciclistas do mundo estavam por lá,,,tinham duas equipes brasileiras tambem para quem demos Boa Sorte ai.
Como eu estava com dores de estomago que nao me deixavem dormir fui em um hospital por lá e o médico disse que era gastrite...fiquei ruído e decidimos ficar um dia nas incríveis acomodaçoes do velódromo de Sao Luiz.
20/01/2010
Saímos para pedalar cedo de Sao Luiz. Eu nao estava 100%, ainda sentindo algum desconforto com a gastrite, mas pedalamos forte nesse dia. O mais emocionante foi ter a primeira visao da cordilheira dos Andes. Esta primeira visao se deu creio que a uns 200 km da mesma, inclível como é grandiosa, ao longe se via bem o Aconcágua e o Tupungato ou Tupungatito.
Enfim em termos de pedal foi um dia tranquilo. Chegamos cedo em La Paz e achamos um lugar para aumoçar. O dono do restaurante se mostrou muito receptivo e em pouco tempo falou que podíamos estender a carpa na garagem dele. Pela tarde tiramos a famosa ciesta Argentina. Deitamos um cimento duro de uma praça. De travesseiro as sapatilhas...dormimos muito bem, ou muito melhor do que dormiríamos naquela noite.
Jantamos e na garagem já tarde tentamos nos ageitar na garagem do senhor. Che, a garagem era muito suja e pela noite se ouvia bem os barulhos dos ratos nos entulhos. Tarde da noite acordo com Cabs me batendo...eu perguntei o que era e ele me falou que tinha uma aranha em minhas costas. Por incrível que pareça nao senti medo da aranha , naquele momento sentia muito mais sono e a vontade era que ele tirasse logo a aranha para que eu pudesse voltar a dormir. Outro detalhe é que na garagem nao tinhamos acesso a nenhum banheiro e assim as necessidades de tarde da noite tiveram que ser feitas em uma boa e velha garrafa pet. Pela madrugada, quase no amanhecer a sina foi a de achar um lugar para fazer o numero dois. Nao tinha canto que acalentasse nossa necessidade. Onde tinha mato tinham pessoas e assim andamos um pouco até o terminal para destruir o banheiro de ali. E o pior é que no banheiro vimos um sinal de que nossa saúde nao estava muito boa, se é que voces me entendem.
21/01/2010
Mesmo conturbada a noite tinhamos que estar antes das 14 h em um shopping na cidade de Mendoza onde iríamos encontrar com Sabri, falaremos mais de Sabri, neste momento ela era uma amiga do Cabs que morou com a prima dele que iria nos receber em Mendoza.
Pois bem, pela manha os primeiros 30km foram duros, pois estávamos com sono e o café da manha foi um cafezinho da manha. A 30 km de onde partimos tinha um parador e nesse parador fizemos a descoberta do pao de mendoza(nao lembro o nome)...comemos muitos paes e bebemos um tanto de gatorate também. Tinha uma excursao de Rosário nesse parador e fizemos parte do roteiro da excursao...legal o pessoal.
Os 30 primeiros km foram fodas como já disse os outros 110km foram mais fodas ainda. Mendoza é o lugar mais quente do mundo e o trecho foi de bastante subida. O que animava um pouco era ver a cordilheira ficar cada vez mais grandona pela frente.
Sei lá o que aconteceu mais pelo caminho, me concentrei em mandar oxigenio para as pernas o que comprometeu um pouco a cabeça que se limitava em pensar: Pedalar, pedalar,,,puta que pariu que calor,,,pedalar, pedalar...
E a 13h30min estávamos no shopping. E as 14h estavam a chegar Sabrina e sua irma desconfiada Julieta. E neste momento um outro capítulo da viagem se iniciou...por isso essa postagem fica por aqui. Na próxima o cap. Mendonzino. Que foi da hora.
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